1999

Véspera da virada do milênio e pânico coletivo na virada do ano de 1999 para 2000: parecem se avizinhar cenários surpreendentes – aconteceria mesmo o fim do mundo como teria dito Nostradamus? Ou mesmo o Bug do Milênio – com os computadores retrocedendo ao ano de 1900, o que geraria confusões e prejuízos para muita gente? Mas tudo pareceu continuar como era antes e o grupo continua, sendo que Nando se torna professor de teatro no Lyceu de Goiânia e Pablo trabalha como secretario no Martim Cererê.

Maira entra para a montagem de A Visita da Velha Senhora dirigida por Sandro di Lima, escolhe se dedicar mais as atividades de sua igreja e com isso se afasta do Grupo.

Ruber começa a fazer freelancer como ator para vários espetáculos de “projeto-escola” com diretores como Leandro Fleury, Ranulfo Borges, Eduardo di Souza, Mauri di Castro entre outros, além de começar a performar na boate Jump.

Conhecem o dançarino, coreografo e professor de dança Eurim Pablo, com quem começam a praticar dança na Escola de Artes Veiga Valle.

Tem início a “Fase Elencos”, que é um vaivém de muitas experiências, mas pouca permanência para poder ir mais fundo nos treinamentos e nos espetáculos.

Apaixonado pelo filme, o grupo faz uma adaptação teatral do roteiro de “Central do Brasil” de Walter Salles. A peça se chamou “Estação Brasileira”. São realizadas apresentações para escolas no Teatro do Cefet, que na época era um lugar favorável a apresentações sem verba, apoiando esse tipo de manifestação. Nesse espetáculo tiveram como colaboradores o coreografo Eurim Pablo e a dançarina Flaviane… e no elenco contaram com o menino Hugo Mor, e a atriz Risney… (hoje vivendo em Amsterdan) como a personagem Dora e tiveram o prazer de trabalhar com a veterana Almeri Silvana, que infelizmente não está mais entre nós. Também participaram amigas da Casa do Teatro, Carliane Paiva, Camila…

Talvez aquela atmosfera de fim de milênio tenha enfatizado ainda mais o desejo de abordar a fantasia, o imaginário, a magia, o onírico. O grupo monta então “Eu e Outras Poesias”, com poemas de Augusto dos Anjos. Os atores experimentam diversos elementos de estéticas das vanguardas, que o autor romântico antecipou. A vontade era fazer um teatro fantástico e o resultado foi um misto de suspense e  terror, como na série “Contos da Cripta” que passava na TV na época. Mas a alta cultura não foi esquecida, as telas de Francis Bacon eram muito apreciadas e discutidas pelo grupo naquele momento.

Os atores, entre eles Paulo Reis, que fez um verme e Marcus Maggiolli, que fez um morto, aceitam se submeter aos laboratórios dentro de caixões de verdade.

O espetáculo foi apresentado durante o mês de julho no auditório do Lyceu de Goiânia e em temporada no mês de agosto no Centro Cultural Martim Cererê.

Nando assiste o espetáculo “Martim Cererê”, dirigido por Marcos Fayad. Depois de anos  diz, “foi um dos primeiros espetáculos que mexeu profundamente comigo. Me fez refletir sobre como eu gostaria de me expressar no palco”.

E dá-lhe aulas na escola e montagem de espetáculos com alunos. O teatro na escola desenvolvido por Nando e Pablo se destaca na rede estadual de Educação.

Morre o famoso encenador polonês JerzyGrotowski, que tanto inspirou e inspiraria o grupo com o livro “Em busca de um teatro pobre”.

Ruber se afasta do Grupo para se concentrar em seus projetos pessoais.

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