2005

O ano começa com viagens de aperfeiçoamento. Nando e Pablo fazem um curso em retiro no Solar da Mimica em Juquitiba, São Paulo. Lá em regime fechado em plena Mata Atlântica, conhecem os mímicos Alberto Gaus e Vanderli Santos, além de artistas de todo o Brasil que lá estavam hospedados.

Após essa viagem Nando vai para Barão Geraldo em Campinas, São Paulo, para um curso intensivo de mímica com Luis Louis. Lá conhece a sede e os integrantes do Lume Teatro, além de Tiche Viana e Ésio Magalhães do Barracão Teatro, entre outros grupos de Barão Geraldo. Uma experiência riquíssima de intercambio e de aprendizagem que Nando resolve levar para Goiânia e compartilhar com seus colegas.

Nesse período o grupo era constituído pelos seguintes integrantes: Nando Rocha, Pablo Angelino e Cristiane Reis, até que conhecem os recém chegados em Goiânia, Marcelo Marques e Lua Barreto, que com sua família circense passam a integrar imediatamente o Grupo. O grupo treinava e ensaiava no Lyceu de Goiânia fora do horário de aulas de Nando. Quando não tinha espaço no Lyceu, treinavam em outra escola conseguida emprestada de improviso. Contavam também com o apoio da Ong Criméia Resistencia Comunitária que depois se tornou Ponto de Cultura. A Ong não tinha espaço mas arranjava uma sala numa escola municipal do Crimeia para o grupo treinar.

Depois de 5 anos mandando vários projetos para a lei de incentivo municipal, finalmente o grupo é selecionado. O projeto não é o de produzir um espetáculo, mas sim um intercâmbio com a atriz Denise Stoklos. Porém o Grupo amplia o projeto para um Festival, o Festival do Corpo Ritual, cujo tema é: Mímica, Clown e Teatro Essencial. Pela primeira vez, artistas e mestres importantes (do teatro físico) como Denise Stocklos,  Luís Louis, Tiche Vianna, Ésio Magalhães finalmente pisam em chão goiano. E a população tem a oportunidade de assistir espetáculos diferenciados.  Mas a festa não para aí, pois debates e oficinas concretizam para os atores goianos ainda mais efetivamente muitos elementos importantes do teatro de cada um desses expoentes. Adriano Bittar e Marcelo Marques também contribuem muito com as oficinas de pilates e de circo.

Com o festival, o grupo, constituído na época por Nando Rocha, Pablo Angelino e Cristiane Reis, passa a ser reconhecido como um dos grupos de teatro de pesquisa na cidade, mas tem de arcar com dívidas e mais dívidas a serem pagas do próprio bolso. Na época, a lei municipal da cidade era ainda mais restrita, havendo aprovação de apenas 4 ou 6 projetos por vez (em 2011 serão cerca de 17 aprovações só na área de Artes Cênicas). Por se tratar de um projeto de intercâmbio inicialmente, a verba arrecadada pela lei de incentivo não cobria todas as despesas de um festival na amplitude em que foi realizado, deixando os integrantes endividados até o pescoço.  Em Brasília, crise do mensalão em vergonhosa exposição, o grupo volta pela terceira e ultima vez às falcatruas do oportunista Ambrósio contra a família de Florência na comédia de costumes de Martins Pena.

Fazem um aprofundamento também na linguagem circense, com especial foco na arte do palhaço. Realizam a remontagem de “O Noviço no Picadeiro” agora sob a direção de Lua Barreto. O Grupo transforma o texto num canovaccio de Commediadell´Arte, um roteiro de ações para a improvisação da cena. Marcelo trouxe uma contribuição acrobática ao espetáculo e assim nasce uma versão altamente experimental desse texto clássico que tanto rondou o grupo. O espetáculo conta também com assessoria circense de João Carlos Artigos do Teatro de Anônimos do Rio de Janeiro, e com a consultoria da atriz e diretora Tiche Viana e do mímico Luis Louis. Teve curtíssima temporada a família de circo e saiu numa cambalhota tão rápida quanto o giro de entrada. Porém continuaram grandes amigos e parceiros em várias outras empreitadas, festas e cervejadas futuras.

Nando conclui a licenciatura em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Goiás.

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